O Brasil e o Zeppelin

Sempre via com fascinação as fotografias antigas de São Paulo com os Zeppelins pairando no ar, dando um aspecto futurista para a época e ao mesmo tempo causando uma impressão de estranhamento, de algo tão grande flutuando no ar que se movendo vagarosamente como um intruso no céu. Daí veio a minha curiosidade de entender como é que eles chegaram aqui. O primeiro voo de Zeppelin a chegar ao Brasil saiu de Friedrichshafen no sul da Alemanha e atracou em uma base metálica especialmente construída em Jiquiá, Pernambuco, próximo a Recife, a escolha do local foi estratégica, pois devido à  sua posição geográfica, era a mais adequada  para receber o gigante após uma viagem  através do Atlântico, que durava em média até 3 dias. O uso dos dirigíveis  se iniciou na Alemanha em 1911 e veio a ser conhecido como Zeppelin, pelo seu criador, Ferdinand Adolf Heinrich August Graf von Zeppelin.   Na década de 30 foi intenso o movimento de viagens transatlânticas, pois era possível atravessar grandes distâncias em um período de tempo inferior a um navio que viajava na época em média de 25Km/h a 40km/h contra 128km/h do Zeppelin, mas para viajar nesse gigante era preciso ter dinheiro, as viagens cruzando o Atlântico custavam só a ida, 1400 Reichmarks, hoje equivalente a 10 mil euros.

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Foto: Torre de Jiquiá – Pernambuco atualmente.

Após a chegada em Pernambuco, o intitulado Graff Zeppelin, o primeiro modelo a chegar ao país, decola rumo ao Rio de Janeiro e logo depois retorna de seu voo experimental bem sucedido para a Europa. Diante dessa experiência a Luftschiffbau Zeppelin, empresa alemã operadora dos voos, institui juto ao governo brasileiro uma operação comercial de viagens por trechos, da Alemanha para Recife,  de Recife para o Rio de Janeiro e posteriormente até Buenos Aires na Argentina em 1934, assim a partir desse ano o gigante começou a sobrevoar diversas cidades como Santos, Curitiba, Joinville, Porto Alegre e Pelotas e incluindo voos rasantes na cidade de São Paulo, entre outras.  Não chegou a atracar em nenhuma dessas cidades por não possuírem estrutura adequada.

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Foto: o Graff Zeppelin pairando próximo ao Ed. Martinelli, trazendo muitos curiosos. 

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Foto: O gigante pairando no ar próximo ao Vale do Anhangabaú. 

 O Graff Zeppelin, o gigante do ar

O tamanho impressiona, tinha 236,6 metros de comprimento e 30 metros de altura, maior do que muitos navios transatlânticos e muito maior do que qualquer aeronave atual, em comparação com o maior avião do mundo o Antonov que possui 84 metros de comprimento. Possuía cabines de passageiros como as de navios, com todo o conforto. Dentre os viajantes do Graff Zeppelin, estão Getúlio Vargas que fez o trajeto do Rio de Janeiro até Recife. O gigante dispunha de 35 lugares ao todo, apesar do seu tamanho, dos quais 22 lugares eram para passageiros. Raramente ficava lotado, pelo valor alto das passagens. Sua estrutura contava com sala de estar e de jantar e até uma sala reservada para fumantes, porque em outras dependências do dirigível era terminantemente proibido o uso de cigarros e charutos, pois o hidrogênio que mantem a forma robusta do dirigível é também seu combustível , sendo altamente inflamável.

Fotos: a esquerda a sala de jantar do Graff Zeppelin e à direita a cabine com um passageira. 

Base no Rio

Para atender os dirigíveis alemães no Rio de Janeiro, a Luftschiffbau Zeppelin recebeu um terreno de 80 mil metros quadrados, no subúrbio de Santa Cruz, no Rio de Janeiro para a construção de um aeroporto para dirigíveis, ao qual foi dado o nome de Bartolomeu de Gusmão, em homenagem ao pioneiro balonista brasileiro.

Foto: O hangar de Santa Cruz no Rio de Janteiro em 1934 à esquerda e atualmente à direita.

Hindenburg e sua passagem por São Paulo

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Foto: Jornal de 1936 anunciando a passagem do Hindenburg pela cidade. 

Este outro gigante medindo 245 metros  de comprimento, 8,4 metros mais comprido que seu irmão Graff Zeppelin, o dirigível Hindenburg, decolou em 31 de março de 1936 da Alemanha  em seu voo inaugural para o Brasil, chegando no  Rio de janeiro, logo seguiu viagem para São Paulo, que como em todas as cidades em que passava,  levou muitos para o centro da cidade para observar sua breve passagem. Nessa ocasião, fez um trajeto parecido com o Graff Zeppelin passando  pelo Vale do Anhangabaú, dando uma volta pelo centro e seguindo em direção ao sul, dessa vez  à Florianópolis. No retorno para a Europa, o compositor Villa Lobos  se torna passageiro do Hindenburg, em abril, em sua viagem de volta para a Alemanha onde morou.  Seu comandante, o nazista Ernst Lehmann, ostentava  suásticas na parte de trás do Hindenburg, obrigatoriedade do governo alemão que queria um símbolo do país estampado no dirigível, afim de exaltar seu poder tecnológico. Somente 14 meses depois, em 1937, tragicamente, o Hindenburg sofre um incêndio que o devastou em apenas 30segundos em New Jersey, EUA. Após esse episódio, a operação de Zeppelins foi interrompida e o Graff Zeppelin, que nunca teve registrado acidentes foi recolhido, marcando o fim de uma época.

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Foto: Hingenburg passando pelo cinema UFA- Palácio na Av. São João em São Paulo 1936. Detalhe para a suástica na parte de trás, obrigatoriedade do governo alemão. 

Vídeo de sua explosão 

Bartolomeu de Gusmão, o Padre Voador

O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nascido em 1685 era inventor e sua criação mais célebre foi a Passarola, um aeróstato, ou mais conhecido como o balão com os princípios que conhecemos hoje. Teve sucesso somente em 1709 obtendo baixa altitude voos curtos em Portugal. faleceu em 1729 e desde 2004, seus restos mortais estão na cripta da Catedral da Sé de São Paulo.

Passarola de Bartolomeu de Gusmão

Foto: o projeto da “Passarola”

Fonte: Aquivo Histórico Nacional.

Conheça mais:

No longa:

O Dirigível Hindenburg” ou “The Hindenburg” de 1975 do diretor Robert Wise

ou o documentário da National Geographic “Segundos Fatais – O Dirigível Hindenburg“.

Que conhecer mais curiosidades sobre São Paulo, venha com a gente neste tour a pé pelo centro, clique no banner e conheça o roteiro:

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