6 particularidades que quem não conhece Paranapiacaba precisa saber

Quantos lugares ainda se mantêm fiéis às suas primeiras plantas? A Vila de Paranapiacaba, em Santo André, a 44km da cidade de São Paulo, tem algumas rugas e estado de conservação típicos da idade avançada, mas mantém-se como foi projetada, hoje por lei, após ser tombada como Patrimônio Histórico, por sua arquitetura, fascinante história de vida e o ímpeto pelo qual foi criada: o progresso.

paranapiacaba-um-vilarejo

1- O ponto de partida: Uma ferrovia

Entre a arquitetura desenvolvida pelos ingleses na segunda metade do século XIX e a neblina que vem e vai, o mistério se estabelece ora sombrio, ora radiante, quando o sol surge a pino. Incrustada na Serra do Mar, tem sua população formada em parte por filhos e netos de ferroviários ingleses que trabalhavam na São Paulo Railway Company, e em parte por descendentes de portugueses e árabes, moradores da parte alta da cidade, destinada ao comércio e serviços. Os ingleses se estabeleceram na região para a construção do que seria uma das obras mais desafiadoras da ambição humana:  a Ferrovia Santos-Jundiaí, que enfrenta um declive de quase 800m ladeira abaixo, na Serra do Mar, e que foi essencial para o escoamento do café, no auge de sua produção no século XIX e início do XX, servindo às muitas encomendas da  Europa, trabalhando dia e noite para a exportação.

2- 1º Campo de Futebol do Brasil

O primeiro estádio de futebol do Brasil, quem diria, está na vila idealizada pelos criadores do esporte, os ingleses. A primeira partida data de 1894, ano em que o Brasil recebe o futebol em suas terras, trazido por Charles Miller. A partir de 1903, o Serrano Athletic Club, time formado por funcionários da São Paulo Railway Company, participou de diversos jogos com times que vieram a ser tradicionais paulistas até a dissolução da companhia com a massificação das rodovias na metade do século XX.

3- Um Castelo para chamar de seu.

A residência do engenheiro chefe David Mackinson Fox, que projetou a estrada de ferro e a vila é de dar inveja: um lindo solar no topo de uma montanha bem no centro da vila. Posicionada assim para observar toda a atividade dos funcionários da São Paulo Railway e também exercer pressão psicológica: qual funcionário não trabalha melhor quando acha que o chefe está olhando? Ali, não se sabia se ele estava observando de fato ou não, mas já que havia a possibilidade, era melhor não chegar atrasado.  Hoje o casarão está fechado para restauro e é conhecido como Museu do Castelo ou Castelinho e abriga objetos que contam um pouco da história da vila.

Castelinho

 

4 – Clima de interior

É muito fácil se conectar com outra energia ao sentir o ar da Serra do Mar que envolve a vila por quase todos os lados, nos fazendo esquecer que estamos na grande São Paulo. Edifícios e trânsito são uma lembrança longínqua quando se caminha por suas ruas estreitas e tranquilas.

Este clima de interior só se vê abalado em dias que a vila recebe o tradicional Festival de Inverno ou outros eventos de grande porte.

5 – Terra do Cambuci

Por falar em Festival, um dos mais conhecidos que passam por ali é o “Festival do Cambuci”, que atrai muita gente da região, entre apreciadores, comerciantes e produtores. Mas engana-se quem pensa que pode experimentar esta fruta e seus derivados apenas na época da festa. Cultuada no sorvete, suco, cachaça e licor, em caminhadas despretensiosas pela vila, seja na parte alta ou baixa, é fácil ver uma garrafa com a palavra “Cambuci” em uma janela de algum estabelecimento. De sabor levemente ácido, um intervalo para aproveitar esta iguaria se faz necessário.

Além do mais, a presença de Cambuci em uma floresta indica que a natureza está bem conservada.

 Cambuci

6- Nascentes e Cachoeiras

O Parque das Nascentes de Paranapiacaba, lugar das nascentes do Rio Grande, formador da Represa Billings, possui diversas trilhas na mata atlântica e, por terem um nível de dificuldade de percurso razoável, combinam perfeitamente com um dia de passeio pelos casarões da vila.

Já se a necessidade de mergulhar na natureza for tamanha que apenas uma cachoeira vai conseguir resolver, belas trilhas estão te esperando. É preciso ficar atento se é uma trilha legalizada, pois algumas delas foram proibidas, mesmo na presença de guias, pois muitos grupos estavam se aventurando sem segurança.

Das diversas trilhas, citamos a Trilha da Pontinha, uma das mais fáceis, com 2km de percurso e 1:30h de duração ida e volta, que acompanha sinuosamente um lindo rio composto por corredeiras e cascatas sobre pontes, chegando em uma piscina natural e cristalina; o Poço Formoso, com 9km de percurso e 4hs de duração ida e volta, que é um paraíso repleto de poços para banho em meio às pedras que seguem o curso do rio Mogi;  a Cachoeira Escondida, com 10km e 5hs de duração ida e volta, possuindo em seu caminho diversos poços para banho, como o Lago de Cristal. E que tal fazer o percurso de descida até o pé da Serra do Mar em Cubatão, passando por diversas cachoeiras e mirantes? Esta é a trilha da Raiz da Serra, uma das mais belas e desafiadoras da região, com 15km de extensão e duração média de 9hs de caminhada.

Trilha da PontinhaFoto: Trilha da Pontinha

A natureza é de todos e para todos, mas nossa vida é única e não se deve brincar com segurança. Os guias locais são, em sua maioria, moradores da vila, que a conhecem desde pequenos e foram preparados adequadamente para dar o suporte necessário a um passeio tranquilo e recompensador.

É possível ir até a vila e contratar guias locais, ao esperar pessoas para formar um grupo e partirem de acordo com a disponibilidade da trilha no dia. Também é possível contratar agências previamente, como é o caso da Arterra Turismo. Nós contratamos sempre um guia local que fica conosco o dia todo, nos guiando na trilha e apresentando a cidade.

Preparando para sair de casa

Animou? Aí vão algumas dicas para ajudar seu passeio a ficar melhor:

– Vista roupas leves e calçado confortável para caminhada, como tênis ou outro calçado fechado;

– Leve sempre protetor solar e repelente;

– Mesmo em dias quentes, a neblina durante as tardes diminui a temperatura, então um agasalho é sempre bem vindo! (Experiência própria: na minha primeira visita à cidade, só levei roupas de calor e tive que comprar um moletom (o que não foi muito fácil de achar))

– Em época de chuvas, a incidência de tempestade é maior do que na cidade.

– Existem vários restaurantes e comércios, mas nem todos aceitam cartão e não há caixas eletrônicos, então sempre leve dinheiro em espécie.

 

Nosso próximo passeio para a Vila será em 28/05/17 (Domingo)

Faremos a Trilha da Pontinha, para ajudar a aquecer o corpo no Outono e conheceremos as curiosidades da vila, para aquecer a mente.

O valor é R$100 e está incluso guias credenciados, transporte e seguro viagem.

 Vem com a gente!

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